NOVO BETÃO AUTO-REGENERADOR ELIMINA FISSURAS

Uma equipa de engenheiros da Universidade de Ghent, na Bélgica está a preparar uma mistura de betão que, à primeira vista, parece perfeitamente normal. Este betão tem a capacidade de se autorregenerar quando começa a apresentar fissuras. A equipa pretende aplicar esta tecnologia em estruturas reais. A maioria dos túneis e das pontes na Europa é feita de betão por isso os cientistas acreditam na sua viabilidade económica.

Conforme o Eng.º Elke Gruyaert, da Universidade de Ghent afirmou, “Este betão é preenchido com polímeros superabsorventes. Quando aparece uma racha, liberta-se água que vai inchar os polímeros superabsorventes e assim fechar a fissura.” Os polímeros são encapsulados e incluídos na mistura de betão. Quando os tijolos estão secos, os investigadores quebram-nos para estudarem a reação e quantificarem o comportamento mecânico e a resistência.

Também a sua colega a Eng.ª Brenda Debbaut da Universidade de Ghent referenciou, “Se uma pequena greta se autorregenerar rapidamente, então não há risco de se tornar maior. A estrutura total não corre o risco de cair. Nós queremos parar o problema antes de se tornar demasiado grande.”

Os cientistas que participam neste projeto europeu acreditam que os polímeros elásticos podem proteger estruturas que sofram cargas mecânicas e dinâmicas, como pontes ou túneis, onde pequenas fissuras podem gerar processos de corrosão potencialmente perigosos.

A coordenadora do projecto HEALCON, Eng.ª Nele de Belie da Universidade de Ghent destacou que “O betão não vai readquirir completamente a sua força. É suficientemente forte assim. O que pretendemos é que readquira a sua impermeabilidade para que a durabilidade não seja afetada.”

Existem ainda outros produtos inesperados, biológicos por exemplo, que podem ser usados para regenerar o betão.

Na Universidade de Delft, na Holanda, os cientistas identificaram outra coisa que pode ajudar o betão a autorregenerar-se: uma bactéria.

O Investigador Henk Jonkers da Universidade Tecnológica de Delft explica que “Estas são bactérias que nós isolámos provenientes de vários locais do nosso planeta que têm condições similares ao betão. Uma condição é ser como pedra. Outra é ser alcalina com um PH elevado. Estas bactérias desenvolvem-se nestas condições e não são patogénicas, não são prejudiciais para os seres humanos nem para o ambiente.”

Quando aparece uma pequena fissura, a bactéria, no interior do betão, mistura-se com água e gera carbonato de cálcio que sela a fissura. Os cientistas testam agora a impermeabilidade do betão depois da ação da bactéria.

Também a sua colega Investigadora Eirini Tziviloglou da Universidade Tecnológica de Delft indicou que “Estamos a tentar ver se o líquido pode penetrar através da fissura remendada e qual é a diferença antes e depois da autorregeneração.”
Relativamente aos custos a Eng.ª Nele de Belie, Universidade de Ghent/Coordenadora do projeto HEALCON explica que “O custo inicial deste betão é maior. Mas esta tecnologia permite reduzir os custos de manutenção e aumentar o tempo de vida útil das estruturas. A longo prazo tem um impacto económico positivo.”

Mas antes de ser lançado no mercado os cientistas precisam de mais certezas pelo que a investigação ainda tem um longo caminho pela frente.

Fontes:

Vídeo: http://pt.euronews.com/2015/03/30/cientistas-desenvolvem-betao-capaz-de-se-autorregenerar/

Projeto: http://www.healcon.ugent.be/
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